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domingo, 29 de janeiro de 2012

.:: SAUDOSA INFÂNCIA ::.

Ainda era manhã e o céu estava lindo. O dia era convidativo a um belo passeio.

Passeio esse que teria que esperar, pois minha jornada de trabalho apenas acabara de começar.

Eu estava a me perder na beleza da natureza, sobrevivente a devastação humana, como sinal de que, neste lugar, outrora fora um imenso campo coberto pela vegetação típica do cerrado.

Agora, um conjunto de sete galpões um tanto antigos e malcuidados contrastava com a singela beleza das árvores distorcidas e carregadas deflores e frutos, localizadas nos pátios ali existentes.

Visualizando um trabalhador da edificação tentar acertar uma suculenta manga madura, brilhando suas cores com o amarelo solar, me pus a pensar quão simples era a vida em minha infância.

Recordei lembranças antigas, quase que esquecidas em minha memória.

Às 16h, minha infância costumava ter o cheiro, o sabor e a cor das mangas frescas.

Sim. Era esse o horário que minha mãe permitia que meu irmão e eu fossemos brincar. E, como local sagrado de nossas travessuras, tínhamos uma área verde (que parecia bem maior naquela época) em frente à casa que morávamos, com um pé de manga que fornecia uma deliciosa sombra que nos protegia dos raios solares, e era objeto de lanches e sobremesas na primavera.

Nessa época, nossas disputas (dos meus amigos e eu) se limitavam em conseguir derrubar uma manga na primeira tentativa, ou subir bem alto no pé de manga. Nossos sorrisos habitavam nas vitórias e nas quedas, mesmo que isso fosse sinônimo de falta de ar ou um monte de feridas no corpo.

Não precisávamos comprar, tão pouco nos preocupar com isso. Não desejávamos nada além de, todas as tardes, nos encontrarmos na sombra da mangueira.

A felicidade morava em nossa inocência. Não precisava de brinquedos caros ou roupas de marca: precisava concluir o dever de casa, e, pés descalços e roupas surradas (para poder sujar e rasgar), sentir o cheiro da grama recém-cortada, fazendo cócegas em pequeninos pés sujos de crianças cheias de energias a correr.

Não havia medo para atingir os objetivos: não havia iminência de ferir algo ou alguém, que não fosse nossos cotovelos e joelhos.

Hoje carrego cicatrizes. Mas não refiro aqui àquelas marcas de minha infância: Refiro-me àquelas que ganhei na arte de viver. Algumas ainda sangram. Mas, as que me fazem sorrir, com gargalhadas sinceras e infantis, são as que deixaram marcas em minhas pernas, pés, mãos e braços. Marcas da felicidade, que nem o tempo, nem a angústia, tão pouco as decepções são capazes de retirar de mim a fé no Criador, na existência pura.

Escrevo esses sentimentos para não mais perde-los de mim - é esse o maior presente que quero deixar de herança: a bela infância ao pequenino gerado em meu ventre, cujo nome é Théo, que hoje brilha em minha vida como o sol dava beleza à manga  do alto, me impulsionando ao sucesso e me incentivando a progredir, a cada sorriso seu.

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